As siderúrgicas brasileiras não tiveram um segundo trimestre positivo e – ainda por cima – enxergam um fator adicional jogando contra: as importações de aço. Com a demanda caindo no mundo e a economia chinesa vacilante, fabricantes globais do produto vêm elevando suas vendas ao Brasil, diante da “falta de proteção” da indústria local.
O segmento de aço no Brasil está pouco aquecido, bem como o da China, o principal comprador deste produto no mundo, com a reabertura frustrando, destacaram os analistas do JP Morgan. Além do impacto no faturamento, este cenário leva à uma pressão adicional nos custos, gerando menor diluição das despesas e reduzindo as margens das siderúrgicas brasileiras.
“Há uma demanda enfraquecida. Estamos vendo com preocupação alguns fatores, como elevada taxa de juros e a importação de produtos acabados, que se incrementou sensivelmente”, disse Marcelo Chara, diretor executivo (CEO) da Usiminas, na teleconferência da companhia, realizada há uma semana.
Nesta quinta-feira (3) foi a vez da CSN (CSNA3) mencionar excessos de facilidades à importação de aço.
“A pressão de importados dificultou muito nossa vida. Não foi fácil segurar os preços, mas estamos vendo melhora no segundo semestre”, comentou Benjamin Steinbruch, diretor presidente da Companhia Siderúrgica Nacional.
Logo após, o executivo defendeu que a defesa comercial não é algo ilegal. “É uma proteção inexistente no Brasil. É algo que precisa melhorar muito. Todo país tem isso”, disse Steinbruch.
Os produtores siderúrgicos estrangeiros aproveitaram o real mais fraco e o baixo preço do aço no mercado externo, fruto de uma baixa demanda, para ganhar espaço no Brasil.

